12 outubro 2010

Tintas para Xilogravura / Receita de Tinta Caseira


A impressão de uma xilogravura é uma etapa muito importante do processo, pois a escolha das tintas a serem usadas interfere muito no resultado final.
As tintas à base de água encontradas no mercado são muito práticas, principalmente por serem de fácil limpeza (com uma bucha e água corrente, ou com álcool se limpa tudo). A escolha por essa tinta também se dá por seu odor suave (semelhante ao guache), o que a torna prática para o uso em ambientes domésticos. No Brasil são vendidas as marcas Speedball, Lukas e Talens, de qualidades diversas: as duas primeiras têm aspecto mais líquido e a terceira é mais concentrada (exigindo o uso conjunto de glicerina líquida). As desvantagens desse tipo de tinta são: 1. ela seca muito rápido (causando desperdício e exigindo um trabalho mais ágil); 2. alguns pigmentos coloridos desbotam; 3. Ela não permite o uso de transparências (é sempre opaca). Elas são boas opções para quem está experimentando a técnica.

As tintas gráficas, à base de óleo são em geral mais indicadas para quem quer trabalhar com xilogravura mais à fundo. O resultado da impressão com essas tintas é muito mais rico em termos de tons, cores e transparências, além de possibilitar uma maior captação dos detalhes da gravação e dos veios da madeira. Essas tintas possuem odor um pouco mais forte do que as tintas à base de água, e para limpá-las é preciso usar solventes, como aguarraz ou thinner - por isso é recomendável usar esse tipo de tinta em espaços bem ventilados. Uma boa dica é usar uma mistura de óleo de cozinha e detergente para limpar a tinta das mãos. Também encontramos solventes de odor mais suave, como o Cromossolv, da marca Cromos. Quanto às tintas, encontramos no mercado a marca Sakura, não testada por nós ainda. A Cromos vende latas de 2kg, que duram muito quando bem conservadas (a tampa deve estar bem fechada e não se deve retirar o papel que a protege). Experimentamos usar a tinta Cromos transparente para produzir tintas coloridas e o resultado foi bastante satisfatório. Para isso, deve-se acrescentar Carbonato de Cálcio (que dá opacidade à tinta) e o pigmento diluído em aguarraz.



Para quem tem interesse pelo preparo de tintas, desenvolvemos uma tinta alternativa à base de água, de baixo custo, e que pode ser usada em ambientes escolares. Para prepará-la é necessário: 2 colheres de Goma Arábica (aglutinante); 3 gotas de Glicerina (umidificante); 1/2 colher de Carbonato de Cálcio ou Talco (que dá consistência e opacidade) e pigmento de qualquer cor, a gosto. É possivel usar pigmento líquido ou em pó (que deve ser diluído em álcool). Basta misturar tudo, testando as quantidades de cada ingrediente para que fique com um aspecto pegajoso. Se a tinta estiver secando muito rápido, acrescente uma gota de glicerina.

Esperamos que as informações sejam úteis, quem tiver alguma sugestão ou experimentar a tinta, nos escreva!

16 comentários:

Aira Bonfim disse...

Adorei as dicas " alternativas"!! preciso agora de goivas alternativas para começar uma história xilográficas pelas bandas de cá!!! Beijos

Airaness

( o código de verificação que apareceu aqui pra mim foi ENESS...hahahah)

Luciana Bertarelli disse...

Estamos aguardando a receita da tinta de arroz, alguém se habilita?

Daniela Maura disse...

consigo fazer umas monotipias com essa receita?

Aracy disse...

Qual a tinta da Cromos que foi usada? Eles tem uma linha enorme de tintas e nas latas que temos na faculdade não consta esse dado. Obrigada

Xilomovel disse...

Olá Aracy! Qual dado você se refere? No post, nos referimos à tinta transparente da Cromos (16W0114- BRANCO TRANSPARENTE), ela é usada normalmente para dar transparência às outras cores, mas é possível produzir cores opacas, como citado antes, só não possui as mesmas qualidades que as cores já prontas de fábrica.

Renato Rea disse...

Olá!
EStou usando as tintas à base de água Lukas e estou gostando bastante.
No início estranhei bastante, pois a tinta tem um consistência fluída, diferente da tinta tipográfica que é mais viscosa.
Uma coisa que ajudou na "adaptação" foi, após abrir a tinta no vidro, deixar ela descansar uns quinze minutos e depois bater ela de novo. Fica com uma consistência mais próxima do óleo, mais viscosa e menos líquida.
Abraços!

Marcio disse...

Valeu pela dica Renato!

Anônimo disse...

pra mim a melhor tinta é a da tradição bremensis, eles vendem a partir de 1kg e fazem qualquer cor escolhida, personalizada, o preço é bom, mas ainda acho muita coisa 1kg, o bom é comprar em duplas pra economizar rsrs valeu a dica, vou testar essa receitinha pra ver ;)

Professor Fernando disse...

Sou professor de arte e gostei muito da opcao caseira, parabens.

Vítor Gaspar disse...

Essas marcas de tintas referidas, Cromos e Sakura, encontram-se à venda no Brasil ou em Portugal também? Alguém me pode indicar tintas equivalentes em Portugal sff?

Xilomovel disse...

Oi Vitor, infelizmente não conhecemos marcas de tinta em Portugal. Talvez você consiga essa informação com um grupo do Porto chamado Chapa Azul, eles estão no Facebook. Espero que consiga, se descobrir e quiser compartilhar aqui, nós agradecemos. Um abraço, Luciana

Vítor Gaspar disse...

Obrigado pela resposta Luciana

Pedro Jordan disse...

O que sugere para impressão em camisetas? Sei que existe duas linhas como silk ou tinta menos profissional para tecido, mas não pretendo usar madeira pra minhas xilos. Abraço

Wlson Medeiros disse...

Alguém aqui testou essa opção caseira? Deu certo?

Helen Assunção disse...

Olá, gostaria de saber qual a melhor maneira para armazenar essa tinta caseira sugerida, e quanto rende mais ou menos essas quantidades especificadas. Obrigada.

Vinicius Mariano Rodrigues disse...

Olá, eu fiz a tinta caseira e deu muito certo, levando em consideração que ela é caseira, da para comparar com as tintas profissionais, não testei ainda a durabilidade da mesma, mas sei que rende muito. abraços e obrigado pelo ensinamento